Monday, March 28, 2011

Idiossincrasias femininas

- o preço dos alimentos subiu.
- é né? eu vi no jornal.
- e eu vi na feira hoje. Couve-flor, R$ 14.
- nossa, eu nao pago por isso.
- nem eu. isso vale pra roupa também.
- no sacolão perto de casa, o couve flor tava R$ 6.
- é, meu sacolão é careiro.
- mas depois do sacolão eu fui comprar roupa e gastei R$ 1,2 mil.
- como? nossa. Quantas peças?
- umas seis.
- bom, R$ 200 por cada uma...
- é, mas é de uma estilista super legal.
- Bom, aí, tudo bem, né...

(cronicamente verídico...)

Saturday, November 06, 2010

Matemática da eleição 2010

Circula uma mensagem nas redes sociais sobre o fato de que 79 milhões de pessoas não elegeram Dilma. Ela foi eleita com 55,7 milhões de votos no segundo turno, no dia 31 de outubro. Por essa mesma conta, que soma os votos de José Serra no segundo turno (43,7 milhões), mais abstenções (29,2 milhões), brancos (2,4 milhões) e nulos(4,7 milhões), o candidato tucano deixou de ser votado por quase 92 milhões de pessoas.

O eleitorado brasileiro soma 135 milhões de pessoas aptas a eleger seus governantes.

São votãções extremamente expressivas, sem dúvida. Mas os votos que ambos carregaram no final, na verdade são herança dos 20 milhões de votos que Marina Silva deixou no primeiro turno, 20 milhões estes que devem ter escolhido, por falta de opção, entre Serra e Dilma no segundo turno, mas sem muita convicção.

Efetivamente, Dilma deveria se considerar com 46 milhões de eleitores, com uma maioria convicta, e Serra com 33 milhões, sufrágios do primeiro turno.

Os números e as últimas manifestações pró e contra os candidatos, dos eleitores do vencedor e derrotado, referendam um país dividido, em que é necessária muita inteligência para preservar o que precisa ser preservado e multiplicar a ação em áreas mais escassas.

Thursday, October 21, 2010

Des-pedida

Corações choram quando se separam. Mesmo sem identidade, mesmo separados, já surdos, mudos, des-pedidas são feitas para des-pedir. Des-peço sua presença, sua companhia, seus ideais, seus sonhos, seu amor.

Dizer a-deus, seja na dimensão que for, belo urdume e trama des-feitos. Des-enlaçam. Dizem não.

Depois do estado de coma por 20 anos, o doente des-enganado fecha os olhos. E dói. Dói sentir medo, doi a falta do incômodo, o balé do a-Deus.

Entregar. A-Deus.

A ânsia por poesia finalmente foi entregue, chegou o dia. Fechar com maestria, ternura,des-apego.

O que ainda morava aqui nesta caverna que res-soa com algum ardor? Por que não admite que não mais queria, que a natureza guerreira guerreia pelo que efetivamente deseja? Por que nao guerrear pelo novo?

Doi admitir nao querer, quando um anjo chora também?

Doi o des-controle, o des-compasso o des-andar?


Por que doi o que liberta, o que abençoa?

Nao, não há explicação. Des-pedaço e des-tema. A vida é como é. Amor anda também em trilhas obscuras.

Que venha a luz.

Tuesday, October 19, 2010

Vale sempre lembrar

Na blogosfera, este poema deve estar sendo replicado mil vezes.

O ANALFABETO POLÍTICO
Bertold Brecht

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.


O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.


Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

Sunday, October 10, 2010

Poesia concreta

Cansada por estender as jornadas de trabalho, uma cidadã de São Paulo começa a perceber sinais de cansaço. Chega no escritório e acha que todo mundo está tentando se afastar dela. Uma brincadeira inocente vira mote para se questionar ("seu parceiro de trabalho tem gastrite por sua causa", brinca um desavisado colega).

A frase bate nos ouvidos ecoa na verdade - "Seu parceiro tem gastrite por sua causa, por sua causa, por sua causa, por sua causa." Já havia padecido desse complexo de perseguição no mês passado, no anterior idem, etc. Sabe que faz parte da semana mais puxada do mês, mas mesmo assim... divaga. - será que eu estou forçando a mão?

A nóia se instala mas uma hora o cidadão paulistano se torna phD em cidadania paulistana.

- parceiro, eu te dou gastrite mesmo? Bateu carência, diz com cara de criança.

Gargalhadas gerais e tudo está sob controle.

Respiração, dormir até tarde, ok, saravá. Voltemos ao eixo. As ondas são revoltas mesmo, nao deixarão de ser nesta terra avariada, nervosa, agressiva. O jeito é descobrir como contrapor. Esporte, dizem, é uma boa panaceia. E ela já se inscreveu, e trabalha por manter a disciplina.

Mas no dia seguinte, perde a hora da ginástica, tamanho cansaço. Leva o filho atrasado, que esquece que tinha de levar a mochila. Paulistana corre, pega a mochila e descobre que nao precisava.

Salve, sinais de cansaço, e ... siga o fluxo. Entao, vire-se a página e mantenha-se a lente humana aberta.

Um dia em SP de primavera. A árvore carregada de pequenas flores amarelas está tinindo. E a sinalizaçao de mudança de tempo é o vento que sopra forte a ponto de balançar as flores numa velocidade que faz com que elas caiam como chuva literal... de flores... em cima do carro dela! perplexa ou carente de poesia, ela admite que aquilo é para abençoar seu dia. Mesmo que não seja, aquele momento existiu, e ela, a árvore e os frentistas do posto ao lado da árvore são testemunhas.


Segue suas obrigaçoes, reuniões, decisões, e todos os ões que lhe fazem jus. e segue para a festa da "firma", com rr do interior puxado, para configurar aquela obrigaçao. Mas vá lá, os sinais de cansaço precisam ser rebatidos e uma festa na presença da diretoria nao fará verão.

Estenda a jornada para outra festa, reencontra amigos de quase três décadas - sim, isso é possível, necessário (espelhos dálma pra nao acreditar no que se acha que é) e existe em SP! mesmo que todos tenham votado em candidatos opostos no dia 3.

Dançar é uma arte e segundo os indígenas, uma oxigenação da alma. De fato, lá pela alta madrugada, depois de confraternizar e configurar a catarse da semana, a plateia da festa é agraciada com uma chuva de bolhas de sabão. Dia aberto e dia fechado à altura do que se quer cultivar.

nem liga para seu carro velho, cuja quinta marcha está avariada, para os faróis altos dos policiais e para o email do contador que cobra o comprovante do ano passado. E nem para a leitura que sempre está atrasada. Amanhã, ou daqui a pouco, é outro dia. E novos ões, atrasos, e exigências estão por vir. Mas por via das dúvidas, afie-se o olhar para o que realmente importa.

Friday, September 24, 2010

Formadores de opinião e a justiça de Serra

Na minha vasta ignorância, sempre imaginei que formadores de opinião eram aqueles mailings caros que as grandes empresas compram para enviar novidades e criar marolas a respeito de algum produto/assunto.

Pois não, os formadores de opinião não estão só na revista Trip ou entre artistas globais. Santa ingenuidade. Eles também estão nas favelas, como líderes comunitários, ou nas periferias, com seus artistas locais. Aliás, os formadores de opinião da base da pirâmide são mais poderosos, pois têm poder de influência sobre um maior número de pessoas.

O rapper Mano Brown deu uma entrevista em setembro de 2009 em que dizia que José Serra era um "cara neutro". Um adjetivo relevante e até positivo quando se trata de um político. Mas o complemento à sua definição provavelmente influencia negativamente os fãs do cantor, e pode explicar um pouco do desempenho de José Serra hoje nas urnas. "Se ele tiver um sanduíche e tiver uma criança magra e pobre e uma criança rica e gorda, ele joga o sanduíche para cima e faz 'aleluia'. Essa é a justiça de Serra", observa Mano Brown.

Há deveras muita inteligência entre os tucanos, mas eles ainda não tocaram as bases. Não só por não ter um Bolsa Família, mas porque ainda são dois mundos que não se comunicam. Os tucanos eleitos terão muito trabalho para construir essas pontes.

A boa notícia é que não caberá mais no cenário político candidatos que assim não o façam.

Tuesday, August 03, 2010

Economia feminina

Há várias maneiras de trazer a teoria econômica para a vida das mulheres. Um exemplo: trade off. Segundo nosso wikipedia, é a ideia de perder algo ganhando algo em troca. Em vários aspectos da economia isso é visível, como nas "escolhas de Sofia" da distribuição de verbas dos governo. Investe-se mais em educação, em detrimento de segurança.

Também no xadrez. Deixo comer meu peão para poder me aproximar e avançar sobre uma peça mais poderosa.

Na vida feminina, isso vale em pelo menos dois aspectos muito caros a este público. Ou elas deixam de tomar cerveja e dar muita gargalhada entre amigos para conservar a forma, ou nao reclamam diante do espelho diante de algumas gordurinhas extra.

E claro, no amor. Ou elas abrem a cabeça para conhecer gente fora do seu padrão - mais novo, mais velho, mais gordo, mais baixo, mais feio - ou continuam sós à espera do Brad Pitt de Moema.

Tirando o pó...

...retomar onde parei, há nove meses, ou montar um título novo? Eis a questão.