Friday, July 04, 2008

a gente nao quer só...


O shopping construído aqui perto de casa foi recém inaugurado. E estava feliz por contar com um belo complexo de cinemas. Semana passada estava sossegado e me iludi que continuaria sempre assim, oculto do grande público.


Pois a fila nos caixas da praça de alimentaçao hoje me fez acordar rapidinho dessa ilusao. E me fez pensar no filme que assisti na semana passada, que projeta uma humanidade totalmente obesa.


Tem aquela expressão que os executivos adoram usar para avançar nas estratégias de mercado. O tal de share of pocket, algo como uma parte do bolso, bolso este do consumidor, que deve estar, segundo a expressão, recheado de dinheiros. Pois todo segmento da economia tenta trabalhar para fidelizar parte desse share of pocket. Nesse sentido, a indústria de alimentos foi muito eficiente. Massificou o prazer de comer. E massificou assim também a idéia de que este é um prazer e outros, como um passeio no parque, ou teatro, ou qualquer outra atividade, não vale tanto a pena, ou não desperta tanto prazer. Ou é caro. Ou é perigoso.


Para se ter uma idéia do que significa o share of pocket, a tecnologia, por exemplo, ocupou um amplo espaço nos nossos bolsos sem que percebêssemos. TV a cabo, internet, celular. Quanto do seu orçamento mensal vai com estes itens? Acredite, você espaçou suas visitas ao dentista, você deixou de fazer outras coisas - talvez ir ao cinema - porque a tecnologia passou a dominar parte do seu bolso.


Tudo em exagero faz mal. Nem virarmos nerds e escondidos do mundo real com muita tecnologia, nem obesos por comer demais.


O brasileiro aumentou de peso, com uma média muito acima do que há dez anos, e ninguém percebeu. quer dizer, a indústria de remédios para emagrecer percebeu. Tanto assim que hoje somos campeões na venda de remédios para perder peso.


Uma volta por Nova York dá uma idéia de para onde vamos. Lá, é o mundo dos obesos. Uma obesidade muito estranha, flácida até a alma, estrias gigantes nos braços, pernas e coxas deformadas. Se aumentamos de peso em dez anos sem darnos conta, imagine o que será nos próximos. talvez devamos preparar-nos para os cremes anti estrias nos braços - siiiim, estria mesmo, daquelas enormes, que criam sulcos na pele.


Um endócrino brasileiro que se especializou no estudo de enzimas para ajudar a reduzir a obesidade, não encontrou literatura relativa ao assunto nos EUA pois, segundo ele, a indústria de alimentos lá foi mais forte para inibir essa cultura. Náo sei até que ponto é verdade. Mas quando vejo aqueles potes gigantes de pipoca, tão american way of life, que limaram nossos simpáticos e ingênuos pipoqueiros, que vendiam talvez um quinto do que vem naqueles potes plásticos, em baratas embalagens de papel, me ponho a pensar que de fato, a indústria de alimentos pode atropelar algumas culturas. E a pipoca, veja só, é grande fonte de renda das indústrias de cinema.


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